CRIANÇAS YANOMAMI , FLORESTA E BRINCADEIRAS.
Estas crianças indígenas nascem na floresta. Ao nascerem elas são apenas, meninas e meninos.
Na cultura Yanomami, não há, ensino e educação de forma organizada. Nas comunidades, a vida é cooperativa e plena de educação. O ensino não é especializado, mas esta latente nas atividades sociais do dia a dia.
Meninas e meninos vêem, ouvem e sentem o universo a sua volta - brincando, acompanhando e imitando os adultos vão interagindo com os ambientes a sua volta, e a partir daí criam o seu mapa de mundo. Caçando, pescando, plantando, colhendo, convivendo, é que aprendem: sorrir, chorar, festejar, cantar, gritar, lutar e amar. Todos ensinam e aprendem.
A maior parte do dia passam brincando jogam pião, catam piolhos e bichos de pé, exercitam-se com pequenos arcos e flechas, pintam o corpo, atiram pequenas frutas e sementes uns nos outros, correm de um lado para o outro brincando de pegar. É imitando e brincando. que elas passam a serem sujeitos da sua própria história.
Ao anoitecer, no interior da maloca, elas ouvem os mais velhos, aprendem os mitos, olham, ouvem e participam dos cantos e danças e brincam até à hora de dormir. E é assim, imitando, e principalmente brincando, que estas crianças da floresta tornam-se Yanomami.
Na história da humanidade, brinquedo e brincadeiras aparecem, talvez, como a prática pedagógica mais antiga de que se tem conhecimento. Se para a maioria das pessoas, brinquedos e brincadeiras, são vistos como atividades inocentes, de menos importância, e com pouca seriedade, é através das brincadeiras e jogos de prazer e do amor, que crianças e jovens relacionam-se com o mundo, percebendo-o e experimentando-o.
É na infância, através do brincar ouvindo , vendo e sentindo, que formamos a imagem que temos de nós mesmos, da nossa sociedade, de outros povos e do mundo.
É na infância que concebemos boa parte da nossa representação interna, das nossas crenças e valores, do repertório de nossas fantasias, e é a partir destas referencias, que geramos os nossos comportamentos e atitudes. As brincadeiras formam, para cada um de nós, um quadro simbólico, compatível com a realidade que vivemos.
Brincar é ajustar a linguagem, organizar a comunicação com nós mesmos e com os outros, é trocar símbolos e mensagens, é generalizar, omitir e distorcer tudo isto, como parte da formação de nossa identidade. Brincando a criança conhece o seu próprio corpo, lida com os sentimentos, mergulha no prazer, vivência a dor, cria a sua realidade.
No entanto, muitas brincadeiras, estão perdendo estas características. Através de uma parafernália eletrônica, que brincam pelas crianças, todos nós, crianças, adolescentes e adultos, somos transformados em vitimas do brincar. Em consumidores passivos de bugigangas eletrônicas "espelhos e apitos" importados. O brinquedo perde a sua função pedagógica, tornando-se um instrumento de marketing internacional, introduzindo e difundindo crenças e valores questionáveis para a nossa sociedade.
A criança, perde o lugar de agente da brincadeira.
Os adultos perdem a sua identidade cultural.
O país perde sua autonomia, e o seu povo a sua liberdade.
Brinquedos e brincadeiras devem ser observados com muito critério, com muita atenção e sem receios. Ao analisarmos as relações entre: crianças, brinquedos e brincadeiras de qualquer sociedade, devemos ter em mente que :
CRIANÇAS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS, SÃO COISAS MUITO SÉRIAS !
Rubens José Espósito
Tel. (22) 2764-2461; e-mail: rubens@alternativa.com.br
Autor do livro: "Yanomami: Um Povo Ameaçado de Extinção"
Editora Dunya